Dia das crianças x Consumismo

Dia das crianças x Consumismo Um dos fatores que impulsiona a compra em excesso é a mídia. As crianças são bombardeadas com propagandas recheadas de atrativos. Porém, a atenção deve ser redobrada com os consumidores mirins.

Atualmente a exposição da mídia através da televisão, revistas e internet remetem a um consumo exacerbado. Essa carga de informações afeta de forma direta a educação, os valores e a formação da identidade das crianças. “A criança é um ser em constante desenvolvimento e necessita do acompanhamento e cuidados dos adultos, pois as influências externas da mídia podem afetá-la de forma negativa, já que os pequenos ainda não possuem um senso crítico e discernimento do que é certo e errado”,explica a psicóloga especialista em crianças Angelita Martins.

Na sociedade de consumo valores deturpados são transmitidos às crianças que acabam incorporando-os como num processo natural. “As crianças não são consumistas, mas aprendem rápido”, ressalta.

Pesquisas revelam que as crianças passam em média três horas e meia na frente da televisão. Segundo a psicóloga, esse índice é preocupante nos sentidos dos efeitos que essa publicidade pode acarretar nas crianças e quais influências podem trazer a percepção e à subjetividade dos pequenos.

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A tentação mora ao lado. São muitas as ofertas de produtos e a propaganda tenta chamar a atenção das crianças que querem determinado brinquedo, independente dos pais possuírem condições de comprá-lo ou não. Em contrapartida muitos pais trabalham o dia todo e sentem-se culpados por não terem tempo para os filhos. Muitas vezes sentem dificuldade em dizer não e acabam compensando sua falta com presentes, suprindo a ausência naquele momento, mas podendo gerar problemas mais graves no futuro.

"Em primeiro lugar estas crianças não conhecem o sentimento de frustração de que os pais não podem comprar tudo o que desejam e crescem achando que podem tudo e que tudo é possível”, afirma Angelita.

Dia das crianças x Consumismo Outra questão diz respeito a um problema que acomete boa parte dos adultos que possuem tendências ao comportamento de comprar compulsivamente. De acordo com a psicóloga, as pessoas compram de maneira exagerada para mascarar determinados sentimentos e sofrimentos, não conseguindo lidar ou enfrentá-los. “É importante permitir que as crianças vivenciem seus sentimentos sem reprimi-las. Chorar, gritar ou emburrar faz parte do processo de amadurecimento da criança. Muitas vezes os pais não aceitam isso por falta de paciência ou ate mesmo por não saber como lidar com determinados comportamentos e acabam dando comida ou presentes para que a criança iniba tal comportamento”, explica.

As crianças estão crescendo com a idéia de que as pessoas são o que tem. Os valores estão sendo perdidos e muitas crianças acabam sendo excluídas por não terem condições financeiras iguais às outras. Angelita conta que este é o momento de pararmos para refletir sobre os valores e os princípios de cada família. A mídia esta presente no cotidiano, mas a decisão de adquirir ou não qualquer produto é de cada um.

"É preciso haver um diálogo com os filhos, ensiná-los sobre o valor do trabalho e as dificuldades para adquirir as coisas. É preciso que haja uma educação financeira, fazendo com que a experimentem lidar com o dinheiro”, ressalta.

Quem nunca recebeu aquela mesada dos pais? A mesada funciona bem nestes casos, entrelaçando a responsabilidade dos pequenos afazeres domésticos com a recompensa. Se não cumprir as tarefas, não recebe mesada.

A psicóloga encerra dando uma dica fundamental para os pais: “O melhor caminho é a conscientização. Converse com seu filho, explique o porquê de não lhe dar o brinquedo e o faça enxergar o verdadeiro sentimento de amizade e amor, que vale mais que qualquer bem material”.

Por: Priscilla Minilz Pereira
Revista: Nossa Santa Catarina